Investigados, deputados ampliam votação em MT; só um perde mandato
Fábio Garcia, Juarez Costa, Faissal Calil e Valmir Moretto conquistaram a reeleição mesmo sob investigação; para o marqueteiro Kleber Lima, força política e entrega de resultados pesaram mais que as denúncias.
Ser alvo de investigação não impediu quatro parlamentares de Mato Grosso de conquistar a reeleição e ampliar o número de votos em relação ao pleito anterior. Fábio Garcia (União), Juarez Costa (Republicanos), Valmir Moretto (Republicanos) e Faissal Calil (PL) foram investigados em diferentes casos, mas conseguiram renovar seus mandatos. O único entre os cinco que não obteve sucesso nas urnas foi o deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo).
O resultado eleitoral reacendeu o debate sobre o impacto de denúncias e investigações na disputa política. Para o jornalista e marqueteiro político Kleber Lima, a repercussão de um caso depende, em grande parte, da estrutura política construída pelo candidato e da relação que mantém com seus eleitores.
Na avaliação dele, parlamentares com bases eleitorais consolidadas e reconhecidos pela entrega de resultados tendem a sofrer menos consequências eleitorais diante de crises. Lima observa que as denúncias podem gerar desgaste e munição para adversários, mas nem sempre se traduzem em perda de votos.
“As denúncias ou investigações têm um poder muito relacionado à estrutura política do denunciado”, avaliou o marqueteiro ao analisar os resultados após as eleições.
Fábio Garcia teve avanço expressivo nas urnas
O deputado federal Fábio Garcia recebeu mais de 139 mil votos e ampliou sua votação em aproximadamente 41 mil em comparação com 2022. Em agosto, ele foi alvo de investigação no âmbito da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal.
O caso apura um suposto esquema envolvendo o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi, com prejuízo estimado em R$ 308 milhões. Apesar da repercussão, o parlamentar apresentou crescimento expressivo nas urnas.
Para Kleber Lima, a investigação não comprometeu o desempenho eleitoral de Garcia. Segundo ele, a estrutura política do deputado contribuiu para preservar a confiança de sua base.
Juarez Costa manteve percentual de votos
Outro parlamentar que conseguiu a reeleição foi Juarez Costa, que recebeu 83,7 mil votos. Em junho, o deputado foi citado em delação encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), relacionada a uma suposta propina de R$ 30 milhões e um automóvel.
Embora tenha ampliado o número absoluto de votos, o desempenho proporcional do parlamentar permaneceu próximo de 4%, segundo a análise apresentada por Kleber Lima.
O marqueteiro atribui essa estabilidade ao perfil do eleitorado de Juarez, que, na avaliação dele, valoriza a destinação de emendas parlamentares aos municípios.
“O eleitor do Juarez não é um eleitor de opinião, de conceito. É um eleitor de resultado”, afirmou Lima, ao ponderar que o crescimento do número de votos não representou necessariamente avanço proporcional.
Moretto e Faissal também ampliaram votação
Valmir Moretto foi reeleito deputado estadual com 37,6 mil votos, ante 25,2 mil em 2022. Em março, o Ministério Público solicitou a abertura de investigação no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) após a circulação de um vídeo em que o parlamentar aparece comemorando uma licitação vencida por uma empresa com a qual sua família teria vínculo.
Já Faissal Calil recebeu cerca de 41 mil votos, aproximadamente 10,7 mil a mais que no pleito anterior. Em junho, ele foi alvo da Operação Gemini, da Polícia Federal, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e possível envolvimento em um esquema de venda de sentenças no TJMT.
Na avaliação de Kleber Lima, Faissal pode ter sido o parlamentar que melhor administrou a crise entre os investigados, considerando o resultado obtido nas urnas.
As investigações citadas envolvem suspeitas e apurações que devem ser avaliadas conforme o andamento de cada procedimento. A existência de uma investigação, por si só, não comprova a prática de irregularidades.
Elizeu Nascimento foi o único que perdeu o mandato
Diferentemente dos demais, Elizeu Nascimento não conseguiu se reeleger. O deputado estadual recebeu 17,6 mil votos, mais de 4 mil a menos do que em 2022.
Em abril, ele foi alvo da Operação Emenda Oculta, conduzida pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), que investiga suspeitas de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares.
Para Kleber Lima, Elizeu tinha uma base política menos consolidada que a dos demais parlamentares e enfrentou maiores dificuldades para administrar a crise. O marqueteiro avalia que o deputado também pode ter perdido parte do apoio ligado à sua representação da Polícia Militar.
“Acredito que, de todos ali, quem tinha a estrutura política menos consolidada era o Elizeu”, afirmou.
Estrutura política pode pesar mais que denúncias
A comparação entre os cinco casos indica que o impacto eleitoral de uma investigação não é necessariamente igual para todos os candidatos. Na análise de Kleber Lima, a força das bases políticas, a relação com os eleitores e a percepção de resultados concretos ajudam a explicar por que alguns parlamentares mantiveram ou ampliaram o apoio, enquanto outro perdeu votos e não renovou o mandato.
O resultado reforça o debate sobre os limites do desgaste provocado por denúncias em períodos eleitorais. Embora as investigações possam influenciar a disputa, seu efeito nas urnas depende de diferentes fatores, entre eles a trajetória política dos candidatos e a capacidade de preservar a confiança do eleitorado.






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