Liberdade tem cor e gênero....
O Dia Internacional das Pessoas Afrodescendentes, celebrado em 31 de agosto, é uma data de grande reflexão. Se faz pertinente a pergunta: depois de tantos séculos de discursos sobre igualdade, quem ainda permanece distante dela?
Durante muito tempo, a história foi escrita a partir dos reis, presidentes, generais, intelectuais e grandes acontecimentos ocuparam suas páginas. Nas margens permaneceram milhões de pessoas cuja existência sustentou silenciosamente a construção das sociedades. Entre elas, mulheres negras que trabalharam, criaram filhos e filhas, preservaram culturas, transmitiram saberes, enfrentaram violências e, apesar de tudo, produziram formas extraordinárias de resistência.
Algumas pessoas constroem o mundo, enquanto outras recebem o privilégio de serem protagonistas. Assim, pensar a condição das pessoas afrodescendentes exige também pensar sobre quem possui a palavra.
Lélia Gonzalez ao examinar a sociedade brasileira, mostrou como o racismo e o sexismo se entrelaçam na experiência da mulher negra. Sua reflexão rompeu com a confortável imagem de uma democracia racial naturalmente harmoniosa e revelou as desigualdades escondidas sob a cordialidade das relações sociais.
Já Sueli Carneiro avançou nesse caminho ao demonstrar a necessidade de “enegrecer” o feminismo. De forma pertinente e necessária, a escritora afirmou que não existe emancipação feminina verdadeira quando determinadas mulheres permanecem invisíveis dentro do próprio discurso emancipatório.
Angela Davis mostrou como raça, classe e gênero precisam ser pensados conjuntamente para compreender a história das mulheres e das relações de poder. bell hooks, por sua vez, insistiu na necessidade de um feminismo capaz de ultrapassar os limites de uma experiência feminina privilegiada e transformar-se em movimento verdadeiramente comprometido com o enfrentamento das diferentes formas de dominação.
A escravidão externa a pedagogia social da desigualdade. Durante...










COMENTÃRIOS