José Alencar Furtado - A voz que rompeu o silêncio...
“O homem não é nada além daquilo que faz de si mesmo.”
— Jean-Paul Sartre
A história política brasileira, sobretudo em seus momentos mais sombrios, produziu algumas figuras que compreenderam a política não como profissão, mas como dever moral. Pessoas para quem o mandato público representava menos um privilégio do que uma responsabilidade diante da história. Entre elas merece destaque José Alencar Furtado.
Num país frequentemente marcado pela memória curta e pela facilidade com que se esquecem os melhores exemplos, sua trajetória permanece como testemunho de que a dignidade ainda pode encontrar lugar na vida pública. Em tempos de acomodação, ele escolheu a coragem. Em tempos de silêncio, decidiu falar.
Albert Camus afirmou certa vez que “o papel do homem livre é não mentir”. Durante o regime militar instaurado no Brasil em 1964, não mentir muitas vezes significava pagar um preço alto. E José Alencar Furtado pagou esse preço.
Nascido em 1925 na pequena cidade de Araripe, no Ceará, filho de um agricultor e de uma funcionária pública, costumava recordar com humor a simplicidade de suas origens. Em certa ocasião comentou: “Nasci numa cidade que só tem uma rua.” A frase, dita com leveza, escondia uma biografia que atravessaria um dos períodos mais difíceis da história política brasileira.
Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Ceará, mudou-se ainda jovem para Paranavaí, no interior do Paraná, onde construiu carreira como advogado e iniciou sua vida pública. Era um orador vigoroso, de raciocínio rápido e eloquência firme — uma eloquência que não buscava o aplauso fácil, mas a clareza do argumento e a honestidade da palavra.
Quando chegou à Câmara dos Deputados, eleito em 1970 e reeleito em 1974, o Brasil já vivia sob o peso de uma década de regime autoritário. O Congresso permanecia aberto, mas cercado por limitações impostas pelos atos institucionais. O sistema...








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